Raposas

Thursday, February 24, 2005

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.


"Road with cypress and star" by Vicent Van Gogh

Quando acreditamos que, finalmente, tudo na nossa vida faz sentido, podemos controlar tudo, sabemos para onde vamos, que caminho queremos seguir e aonde queremos chegar, a vida sopra com mais força, derrubando o nosso castelo de convicções e certezas. Alguma coisa acontece que nos leva a fazer perguntas, questionar as nossas certezas, refundamentar as nossas convicções. Alguém tão próximo, tão querido, tão semelhante a nós mesmos, morre e nós não sabemos porquê. Não é justo. A vida dele era semelhante à minha. Aquilo em que ele acreditava era semelhante às minhas crenças. Aquilo porque ele lutava era semelhantes aos meus sonhos. E num acto de amizade, de festa, num desenho de cores, de traços garridos, num rosto de alegria, de emoção, a vida acaba. Assim. Num momento. Num impacto. E quem fica não compreende.


Muitas vezes esquecemo-nos de quem nos deu a vida. O nosso Deus é bestial. Dá-nos a oportunidade de estarmos aqui, na Terra, e de vivermos como queremos, como achamos melhor. Sem castigos, sem repreensões. Só com amor. Mas nós, com as nossas certezas tão erradas, com a nossa mania de sermos superiores a tudo o que existe, achamos que a vida é um dom nosso, do qual podemos pôr e dispôr, que chega a ser um direito, e esquecemo-nos da verdadeira razão pela qual estamos cá. Sim, é tão bom estar "cá em baixo"! É tão bom saber que Deus Pai confia em nós para tomarmos as nossas próprias decisões, para pintarmos, cantarmos e sonharmos a nossa própria vida, que ele quis que nós experimentassemos tudo isto. Por isso mandou-nos para cá. Mas não nos podemos esquecer que o nosso lugar não é aqui. Aqui somos felizes, mas o que experienciamos cá não é eterno. Sabemos, à partida, que não é para sempre, mas mesmo assim tentamos "esticar" a nossa vida o máximo possivel para cá estarmos "só mais um bocadinho". Mas aqui não somos perfeitos. Nós fomos criados para algo muito mais grandioso, bonito e feliz do que este mundo. Nós fomos feitos para o Céu. Para estar com Deus, com ele, junto dele, para sempre. Aí sim, somos verdadeiramente felizes.

E mesmo que doa (e claro que doi), e mesmo que magoe (e claro que magoa), e mesme que custe (e claro que custa) é preciso aceitar que aqueles que partem já estão a viver a verdadeira vida, e que o tempo que não estamos com eles agora, não é nada comparado com a vida eterna que partilharemos no futuro. E, por enquanto, podemos rezar e pedir ao Pai para que aqueles que já vivem a verdadeira felicidade, aqueles que junto a Ele passam todos os momentos, sejam os nossos anjos da guarda muito especiais, que nos surrurem sinais de amor e nos guiem para sermos melhores, porque, um dia, também sem ninguem esperar, voaremos sobre as nuvens para o lugar mágico onde eles estão agora. Não sabemos para onde. Não sabemos quando. Mas sabemos que esse dia chegará e que não temos medo, que confiamos, tal como quem já partiu e está junto do Pai confiou.


«Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.» (Antoine de Saint-Exupéry)


2 Comments:

  • At February 24, 2005, Anonymous Miguel said…

    É nestes momentos que realmente damos ao valor ao que temos...

     
  • At February 24, 2005, Blogger MLP said…

    caldinhas, agora é só olhar para a frente e pra vida e pra alegria e etc. asssim é que é, assim é que se vive.

     

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